De arquiteta a padeira de sucesso

Quando Raimy Carvalho se formou em arquitetura, seguiu direto para o mercado de trabalho, atuando na gestão de obras de interiores. Por quatro anos, ela se dedicou à profissão, mas confessa que nunca foi apaixonada pelo que fazia.
“O que era para ser a realização do sonho do cliente, muitas vezes se transformava em um pesadelo para todos. Prazos apertados, desvalorização da profissão, atrasos intermináveis de fornecedores... tudo isso me abalava emocional e fisicamente. Eu não via esperança de que as coisas pudessem melhorar”, relata.
Raimy sempre soube que seu tempo na arquitetura tinha um prazo: cinco anos. Depois disso, ela queria mudar de área. E foi um hobby que acabou apontando o caminho para o seu "Plano B". A paixão pela cozinha surgiu na vida adulta. Ela começou a se interessar por culinária e até pensou em abrir um café, mas era apenas um sonho distante. Com a chegada da pandemia, Raimy passou a fazer broas e geleias com a família do noivo.
“Todas as mulheres da família são cozinheiras de mão cheia, e algumas até têm padarias em São José dos Pinhais. Foi então que comecei a pensar o quanto seria gratificante trabalhar com comida”, conta.
Enquanto amadurecia a ideia, Raimy enfrentou mais um episódio de estresse no trabalho. Foi o estopim para que ela decidisse pesquisar sobre cursos de panificação. Encontrou um no Centro Europeu e começou quase imediatamente.
“Levei a panificação junto com a arquitetura até chegar ao meu limite. Resolvi dar um basta. Finalizei as obras em andamento, aluguei uma garagem sem banheiro, que pertencia a um amigo do meu pai, e lá comecei a fazer pães de fermentação natural por encomenda, uma vez por semana”, relembra.
A decisão não foi fácil. Raimy confessa que chegou a chorar junto com a empregada de uma das casas onde estava finalizando uma reforma. “Nesse dia, cheguei em casa e meu noivo me disse o que eu precisava ouvir: que eu não podia continuar vivendo daquele jeito e que era hora de dar um ponto final.”
Aos poucos, Raimy foi aprendendo a ser empresária no ramo da panificação. Alugou um imóvel e, com a ajuda do pai, reformou o local para abrir sua padaria. O pão que mais vende é o de linguiça Blumenau com queijo meia cura, mas a verdadeira estrela é a broa de fubá. “A broa foi o primeiro pão que fiz na vida e que mudou minha vida. É a receita da bisavó do meu noivo, super especial para mim, e todo mundo adora”, diz. Hoje, Raimy vende cerca de 120 pães por dia, além de doces, croissants, pães de queijo, bolachas e antepastos. Em dias de movimento, como nas sextas-feiras, esse número pode chegar a 180 itens.
Ela não poderia estar mais feliz com a mudança.
“O ambiente que construí é incrível para trabalhar. Tenho clientes que viraram amigos. Amo atender, montar a vitrine da loja, amo tudo. E minha qualidade de vida melhorou muito: meu corpo, meu sono, minha pele, meu relacionamento, meu humor... tudo mudou para melhor”, comemora.
Raimy deixa um conselho para quem se sente infeliz no trabalho:
“Precisamos estar atentos aos sinais e aproveitar as oportunidades que aparecem. Ninguém merece trabalhar com algo que não gosta. Se eu não tivesse prestado atenção em como a tia do meu noivo fazia a broa de fubá, ou se não tivesse ligado para o Centro Europeu para me informar sobre o curso, não estaria aqui hoje. Se eu tivesse vergonha de buscar uma vaga temporária na padaria que admirava, talvez não tivesse tido a coragem de abrir minha loja”, finaliza.
As Dicas da Raimy :
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Teste a ideia antes de investir muito.
O tempo que passei na garagem foi essencial para ganhar prática na panificação e confirmar que realmente amava o que fazia. Só depois de meses de maturidade é que investi na loja física, sempre com os pés no chão. -
Saiba fazer tudo.
No primeiro ano, só eu e meu pai trabalhávamos na padaria. Hoje, tenho três funcionários, mas ainda coloco a mão na massa quando necessário. O treinamento dos funcionários é feito por mim, para garantir que os produtos saiam exatamente como eu quero. -
Priorize um local com estacionamento.
Um aluguel mais caro em um local estratégico pode trazer um retorno financeiro muito maior. A praticidade para o cliente é essencial, e um imóvel barato em um local de difícil acesso pode não valer a pena.


